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a brindar sem água

"Vinho não é bebida alcoólica! É paisagem, história, etnografia, inspirador e coligado no evoluir do Homem. Tudo isso falado no copo!" - Eu

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BOTA VELHA, FOI NO DOURO QUE SE GASTARAM

19.08.18 | manuel

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Novo projeto, oriundo do Douro, no qual o super-experiente enólogo, João Silva e Sousa, de tanto procurar boas vinhas velhas, “gastou” as botas. Esse é o mote do conceito do vinho, denunciado pelo “Bota Velha” no nome.  Nada de inédito no conceito, no entanto, retrata a aventura da busca de boas e “verdadeiras” vinhas velhas, (acima de 40/50 anos) espalhadas pela vastidão do Douro. Estas têm atraído muitos à sua procura. Das boas mãos resultam vinhos muito bons, vários ainda pouco conhecidos, que em ritmos vários se dão a descobrir. Boa estreia!

Já o vi à venda com preços a incentivar a aquisição!

Aqui deixo breves anotações da prova.

 

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Bota Velha Colheita Branco 2017

Mistura de Malvasia Fina, Viosinho, Gouveio, Rabigato, Códega do Larinho e Arinto, de vinhas menos velhas. De imediato a causa da frescura e vivacidade transborda pelo copo. Menos na expressão tropical, mais no sotaque vegetal e herbal. Brilhante! Leve e viçoso na boca, cremoso, um ligeiro salgadinho a piscar o olho a um bom prato de mexilhão ou do delicioso salmonete. Nada de o servir geladinho. Só vai estragar!

 

Bota Velha Vinhas Antigas Branco 2017

Este sim, sente-se logo a diferença para o anterior. De ambição apontada a mais alto! Vinhas velhas de field blend. Em linguajar enófilo, field blend, significa que as uvas estão todas misturadas, uso e costume faz décadas atrás pelos lavradores. Trato mais requintado. Aroma já evidência complexidade, sente-se um cheirinho a barrica. Nada em demasia. Aveludado, saboroso e de sugestiva acidez na boca. Ah, e persistente, também. Está um mimo para quem gosta de um camarão tigre ou carabineiro. Para os mais chiques, um lavagante vai mesmo a jeito!

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Bota Velha Colheita Tinto 2017

A abertura na densidade visual, antecipa good vibes de frescura. É isso que se sente no aroma. Bagas silvestres em promíscua cumplicidade. Subtil fumado, que nos obriga a recordar que o Douro tem o xisto como solo. Saboroso, também na boca. Os taninos muito delicados, sem deixar de mostrar as garras. Contudo, a sintonia e balanço, de ambiente jovial e feições de frescura, confiam-lhe desembaraço à mesa. Um churrasquinho ou entremeada na brasa, dão-lhe oportunidade de brilhar! Mais uma vez, insisto, não servir “quente”. 16ºC será perfeito!

 

Bota Velha Vinhas Antigas Tinto 2017

Sim, senhor! Sente-se a antiguidade da vinha! Como se isso fosse fácil perceber. Contudo, a subtileza e proporção do todo, o “fleshy” do fruto, uma certa suculência e fluidez, dão boa nota da suposição da antiguidade das vinhas. Alusões florais e herbais, colaboram. Vinga a estrutura na boca, nada pesado, “sério”, conjunto de sabores certeiros, vivos e saborosos. Fiável parceiro de iguarias na púcara, ou sumarenta costeleta de novilho.

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