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a brindar sem água

"Vinho não é bebida alcoólica! É paisagem, história, etnografia, inspirador e coligado no evoluir do Homem. Tudo isso falado no copo!" - Eu

a brindar sem água

"Vinho não é bebida alcoólica! É paisagem, história, etnografia, inspirador e coligado no evoluir do Homem. Tudo isso falado no copo!" - Eu

Casa do Capitão-Mor Alvarinho Sobre Lias 2016

09.05.20 | manuel

 

Chegado ao mercado não à muito, mostra-se num estilo menos habitual, talvez de inspiração mais tradicional. Não é um vinho diferente, daqueles únicos, ou, não o é totalmente, pois na atualidade por terras de Monção e Melgaço, surgem cada vez mais vinhos inovadores. Se quisermos, a diferença abunda neste limiar fronteiriço. 

Contudo, não se pode ficar indiferente ao facto de este vinho ter ficado em estágio quase três anos. É ter a coragem e confiança inabalável nas virtudes do vinho. Ainda bem que assim é! Nada neste vinho é óbvio. A começar pelo sisudo do aroma, dir-se-ia “esquisito”, a léguas do perfil tropical muito frequente da interpretação da casta Alvarinho. Na verdade, nada contra esse perfil, que também faz falta!

casa do capitão mor IV.jpg

Foto: Quinta de Paços

Este vinho, por seu turno, é orientado pelas sugestões a frutos secos e marmelo, cogumelos brancos, referências que encontramos mais vezes nos espumantes e Champagne com mais tempo de estágio. Por essas sensações percebe-se um dos efeitos das “lias” ou borras finas, às quais a ténue alusão de “brioche” argumenta também a favor. Aroma penetrante, um tanto intrigante e ao mesmo tempo profundo.

Na boca não pede licença e entra super-hiper-seco, com acidez que até arrepia, mesmo tendo feito maloláctica parcial em barrica. Percebe-se logo o porquê dessa opção! Imaginem se não o fizesse! Ui! Fez todo o sentido, por um lado atenuar a quantidade da acidez natural, por outro dar-lhe resguardo de textura, envolvência e alguma untuosidade. Para ajudar à festa, ainda antes mesmo de o nosso palato se ajustar totalmente, nova vaga de interesse irrompe. Uma impressão salina, maravilhosa. Tempera perfeitamente o belíssimo final. Estrutura e vigor do princípio ao fim.

Mais um vinho que mostra a dinâmica da região, este com uma postura que não pretende ser consensual, não quer agradar a todos, mas merece aplauso pela qualidade e certa dose de ousadia. Quem não tiver demasiada pressa, puder esperar um pouco mais, será decisão de puro enófilo.

Escusado será referir que não é vinho para servir geladinho, fresquinho!! Eu gostei muito ali nos 14ºC, em copo mais largo. 

PVP: 28€ - 30€

Classificação: É arranjar espaço para mais esta!

 

 

 

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