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a brindar sem água

"Vinho não é bebida alcoólica! É paisagem, história, etnografia, inspirador e coligado no evoluir do Homem. Tudo isso falado no copo!" - Eu

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COSTA BOAL – Novidades do Palácio dos Távoras

20.05.20 | manuel

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Um vinho de Baga, entre as novidades da Costa Boal Family Estates. Possuidor de cinco quintas, repartidas entre Douro e Trás-os-Montes, Palácio dos Távoras é a marca topo.

O destaque das novidades, é o primeiro monocasta de Baga desta região. Um “feliz acidente”, como refere o produtor. Adianta António Boal que quando plantava uma vinha nova de Touriga Nacional em Mirandela, por erro de cálculo das plantas necessárias, viu-se em outra opção quando o viveirista lhe respondeu que apenas tinha disponível bacelos da casta Baga, para que pudesse acabar o trabalho. E como a vida também é feita de coincidências, uma das mais determinantes é o posterior “casamento” de um enólogo experiente em lidar com a casta, Paulo Nunes, que não escondeu espanto inicial “Baga aqui?!” Processo de aprendizagem em curso, “pois o clima continental de Trás-os-Montes, de dias muito quentes, quando comparado com a Bairrada, de clima atlântico, mais temperado, que leva a um ciclo de maturação mais curto em Trás-os-Montes, a uvas com um pouco mais de teor alcoólico, (ao redor dos 12 % vol. alcoólico na Bairrada e 13%/14% vol. alcoólico em Trás-os-Montes) e a vinhos mais estruturados. “

 

Palácio dos Távoras Baga Parcela CB 2016

 

Parcela CB, de Carolina Boal, a herdeira, que, ainda criança, ajudou a plantar a vinha em 2012. Vinho com profundidade e madurez de aroma, sem compota, expressa fruta vermelha, balsâmico e bons apontamentos de barrica, noz moscada, alcaçuz, cânfora e ligeiro “verniz”. Eloquente compleição na boca, glicérico de textura, que envolve a boa carga de taninos, de “grão fino”, secos, e a acídula vivacidade. Boa fruta, barrica em fusão adiantada. Resulta bastante bem! Percebe-se o efeito do calor da região na generosidade da fruta e potência, e da amplitude térmica no refrescante da afinação. É excelente estreia, mas, parece-me o primeiro de futuros Baga muito mais interessantes. A seu favor, quase instintiva vocação gastronómica.

1200 garrafas numeradas.

PVP 20 euros

 

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Palácio dos Távoras Vinhas Velhas Alicante Bouschet Grande Reserva 2017

 

Proveniente de vinhas com mais de 50 anos, da vinha velha de Mirandela. A cor mostra excelente constituição no tom rubi, mas brilhante, sem opacidade. Aroma também ele de enorme compleição, muita baga preta, madura, ameixa preta seca, alusões subtis que se percebem como “floral”, bons tostados, soja densa e alcatrão. Notável profundidade, de carácter um tanto viril, ainda, e personalidade altiva, mas ainda pouco expressivo. Dar-lhe um pouco de arejo e tempo, mostra-se imprescindível. Estrutura sólida, cheia e eloquente na boca, taninos musculados e secos, frutado que preenche o médio palato, e confere “recheio” e amparo. Surpreende, ou talvez não pela origem e idade, o nível de acidez, 5,20 gr, a proporcionar os 14,5% de teor alcoólico. Uma das magias da região.  Barrica bem ajustada ao perfil do vinho. Um Alicante Bouschet de muito nível.

1200 garrafas

PVP: 30 euros

 

Palácio dos Távoras Vinhas Velhas Tinto Grande Reserva 2016

 

Feito a partir de uvas colhidas na vinha velha de cerca de 60 anos, localizada no planalto de Mirandela, a 350 metros de altitude. Conquista a atenção logo pelo brilhante rubi/granada de média densidade. O aroma é muito fino, sedutor pela abundante fruta vermelha, cereja, alguma ginja, ameixa preta fresca, e algumas camadas de mato rasteiro e herbal. Estilo muito arejado. Boas notas da bem integrada barrica nova, a lembrar tostados finos, alcaçuz, alcaravia e noz moscada. Na prova de boca mostra-se envolvente, num diálogo interessante entre textura aveludada e expressiva frescura de estilo, não sendo alheio a este balanço e proporção, o término da fermentação em barrica nova de carvalho francês. Quantidade média/alta de taninos, de estrutura firme mas suaves, fluidos apesar de alguma secura. Acidez bem notória, a reafirmar a elegância e personalidade do vinho. Um vinho de 14,5% de volume alcoólico, sem peso ou monotonia. Mais uma vez a magia da região e das mãozinhas. Neste também a vindima de 2016, também teve algo a dizer. Um vinho de gabarito, não somente pela qualidade “enológica”, mas pela singularidade. O meu favorito!

Gand’a pomada!

PVP: 18 euros

 

Palácio dos Távoras Vinhas Velhas Branco Grande Reserva 2018

 

A partir de vinhas velhas do planalto de Mirandela, Trás-os-Montes, com cerca de 60 anos e com mais de uma vintena de castas diferentes. Aroma de perfil recatado, pautado por subtilezas das camadas a evoluir de forma pausada e progressiva. Fruta limonada e de polpa branca, ameixa e alperce, subtil e requintada perceção de madeira, em crescendo de complexidade. Vivo e charmoso, e com assinatura de caracter. Envolvente na prova de boca, primorosa combinação glicérica e frescura de sabor. Aliás, no que diz respeito a acidez, o vinho dispõe de 6,2 gr de acidez natural. O acabamento de fermentação na barrica, que foi a gosto das leveduras autóctones, demorada, e os 10 meses na barrica, criaram condições ao aveludado da boca. Bom final, persistente, mas sempre orientado pela contenção e detalhe. Dá prova muito boa agora, mas “cheira” a coisas bem interessantes na evolução. Um branco de categoria!

É arranjar espaço para mais uma! Esta!

PVP: 18 euros

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Vinhos irrepreensíveis, de segura e sólida dimensão qualitativa, que se dão ao consumo desde já, mas com futuro e excelente potencial de guarda. Um excelente embaixador dos vinhos de Trás-os-Montes.