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a brindar sem água

"Vinho não é bebida alcoólica! É paisagem, história, etnografia, inspirador e coligado no evoluir do Homem. Tudo isso falado no copo!" - Eu

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Gastronomia portuguesa, agora é que é !!

16.05.20 | manuel

Não, a gastronomia portuguesa não estava a “bombar”. Agora sim, poderá ser oportunidade imperdível. Apesar da notoriedade do turismo, a gastronomia portuguesa não tinha a mesma notoriedade. Um punhado de profissionais de cozinha, sim! Tinham e têm notoriedade, e muito bem! Precisamos, qualquer país precisa, de “embaixadores”, ou influencers. Agora, a gastronomia portuguesa não estava assim tão “bem” como se apregoa. Especialmente por Lisboa e Porto, Algarve, talvez os grandes centros que agregam maioria da oferta de restauração, proliferavam espaços de cozinha nipónica, pizzas, os hamburguers gourmet, o que quer que seja isso ou o very typical ludibriar de turistas, pratos com nomes de pratos portugueses, mas bem longínquo dos mesmos. Bastava uma rápida incursão por algumas das mais movimentadas artérias das duas cidades para conferir, mas pode-se conferir aqui: https://sol.sapo.pt/artigo/596031/estes-foram-os-restaurantes-mais-procurados-pelos-portugueses-em-2017. Felizmente uns quantos restaurantes, mais antigos, onde os donos mostram e muito bem a cozinha da sua origem, tal como alguns, poucos, aventuravam-se a fazer algo de muito interessante. Contudo estes, infelizmente, são residuais exceções. Uma gota de água, num mar de oferta descaracterizada.

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Agora muitos dos cozinheiros mais visíveis nos média, referem que vão ajustar-se aos portugueses, e baixar preços. Lá voltaremos ao cachaço, à bochecha e à cavala! Leva-me aos anos de 2008/2009, quando fizeram o mesmo. Mas a será que não é possível mostrar pratos de cozinha portuguesa genuína a preços competitivos? Com isso até privilegiar os produtos portugueses e locais. De repente lembro-me das bôlas e folares que podem substituir as focaccia. Os milhos em vez de polenta, açordas, arrozes, os torricados em lugar das bruschettas, o petisco em vez da tapa, etc., e dar algo mais que o trivial Bacalhau à Brás ou Gomes de Sá. Pelo menos que sejam bons. Se se apregoa a riqueza da culinária portuguesa, porquê só mostrar meia dúzia de pratos. De tanta riqueza só existe isso!? Hoje é a oportunidade de dar a conhecer os produtos portugueses, chamá-los pelo nome correto, referir de onde vêm, a sua DO.

E mais importante, este é o momento para começar um trabalho de planeamento de longo prazo na sustentabilidade da gastronomia portuguesa, logo da nossa economia. Porquê? O que comem as futuras gerações de consumidores? As crianças, por exemplo. Elas, que serão o futuro consumidor. O que comem agora? Fácil, basta ir ao centro comercial para ver. A fazer fila com a família nas cadeias de fastfood. Essa é hoje a referência deles. No futuro, o mais provável é continuar a ser. E como fica ou como será o futuro consumidor português da gastronomia portuguesa? Nada brilhante, se continuar assim. Se hoje uns apregoam a cozinha de memória da avó, e das tias, etc. Estas crianças, na memória ficam com os “bonecos” e “cartolinas” que as cadeias de fastfood oferecem.

Neste âmbito a responsabilidade não é dos cozinheiros. Podem participar e contribuir. É também do estado! É da sociedade. Pode começar pela escola, com pratos de cozinha portuguesa associados a etnografia e história. Um trabalho conjunto entre ministérios, especialistas transversais de várias áreas. Exemplo, atividades lúdicas, recreativas que façam conhecer as tradições, mais programas nos media sobre a cozinha portuguesa, apps, gaming, challenges, viagens virtuais, literatura, etc. Um conjunto de ferramentas levem a que cultura gastronómica passe a ser percebida como cultura do seu país. Que se entranhe. Bons exemplos de algumas confrarias, já a fazerem a sua parte. Consequência no longo prazo? Manutenção das tradições e património, valorização das artes, prevenir desertificação das zonas rurais, consciência ambiental, respeito pela natureza, sustentabilidade, mais produção nacional, menos importação, alimentação mais saudável que equivale a melhor saúde. Por isto e por muitas outras razões esta é a oportunidade à gastronomia portuguesa.

 

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