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a brindar sem água

"Vinho não é bebida alcoólica! É paisagem, história, etnografia, inspirador e coligado no evoluir do Homem. Tudo isso falado no copo!" - Eu

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O álcool do vinho!

28.05.20 | manuel

Ao redor do vinho, vários ditos e lugares-comum assumem “quase” verdades, que soam a profunda reflexão. O mais recente é a atual expressão “os vinhos estão cada vez mais alcoólicos!” ou “têm cada vez mais álcool!”, e passou a endeusar-se os de teor alcoólico mais baixo. Acredito que se considera 11,5% até 12,5% como teor alcoólico mais baixo, e de 13,5% a 15% como mais elevado. Serão estes os valores referência na menção pouco e/ou muito teor alcoólico do texto. Adiantando, eu preferiria destacar que os vinhos estão com maior qualidade, em lugar da primazia que se dá ao álcool.

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De facto, sempre coabitaram os vinhos de teor alcoólico mais elevado, junto dos de teor alcoólico mais baixo. Durante décadas, mesmo no século XX, em Portugal, os vinhos de mais “grau” eram sinónimo de qualidade. E de preferência, se possível, de muita produção. Os menos alcoólicos eram vistos como de menor qualidade. Eram “verdes”, eram magros ou verdascos, daí também se “martelar” os vinhos. Aliás “martelava-se” por várias razões, até por o vinho ter muito ou pouco álcool. Era comum a adição de água aos de teor alcoólico mais elevado, para render um pouco mais.

Também os que melhor envelheciam, em geral, eram os vinhos que tinham um pouco mais de álcool. Afinal, o álcool é um conservante. Também há exemplos de vinhos com menos teor alcoólico que envelhecem maravilhosamente. O inverso dos dois, também é verdade.  

Várias castas foram deixadas para trás, por não amadurecerem como deve ser, ou seja, por darem pouco álcool. Ou por darem pouco cor, quando o “gosto”, a moda, eram os vinhos de muita cor. Hoje, ter pouca cor, volta a ser bom, volta a ser moda, dizem. Recordo-me perfeitamente de alguns clientes se referirem, há alguns anos, aos vinhos de menor grau e pouca cor como “aguadilha” ou “água-pé”, entre outros adjetivos menos elogiosos. Conclusão, sempre existiram os dois perfis de vinhos.

Dizem, que vinho com teor alcoólico mais baixo se pode beber mais, e não ficar tão embriagado. Eu acredito que quem beber uma garrafa de vinho com 75 cl de capacidade, com um teor alcoólico de 11,5%, já está não está em condições de se meter ao volante. Acho até pouco responsável, se sugerir que se pode beber mais por o vinho ter menos “grau”.  Não me parece que essa ideia possa encaixar no “Wine in Moderation”. Cada um sabe de si. Mas pode meter outros ao barulho.

Eu acredito é em vinho bom! Vinho equilibrado! Seja com mais ou com menos álcool! Existem exemplos maravilhosos de ambos por todo o mundo. No oposto, muitos vinhos de baixo teor alcoólico têm um conjunto de desequilíbrios, o mesmo se passa com os de teor alcoólico mais elevado. O equilíbrio é o “Santo Graal”. Há quem prefira ou goste de vinhos com menos “grau” e outros que preferem com mais. Há vinhos que ficam bem com menos álcool, e outros que ficam melhor com um pouco mais de álcool.

Por essa razão, há produtores que têm oferecem ambos os perfis, para responder aos dois gostos. Se pensarmos bem, até somos uns felizardos, pois podemos escolher se queremos vinhos com mais ou menos álcool. Há algumas décadas, bebia-se o vinho que havia.

Cada tipo de vinho tem o seu lugar, o seu momento de consumo, felizmente para nós, existe essa diversidade. Ponham lá um vinho de 11,5% vol. com um estufado de javali ou um T-Bone! Ou um vinho de 15% vol. com umas febras de porco ou peito de frango!

Para mim, o tema teor alcoólico do vinho não é tabu ou pertinência. É bem mais interessante o seu storytelling que o tema teor alcoólico. Cada vinho é apreciado pelo que tem e desfrutado pelo que é. O que seria do meu “querido” Vinho do Porto, Vinho da Madeira, e outros maravilhosos vinhos de 20% de álcool.

O “cliché”, a moda e o bom gosto devia ser …o equilíbrio.

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