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a brindar sem água

"Vinho não é bebida alcoólica! É paisagem, história, etnografia, inspirador e coligado no evoluir do Homem. Tudo isso falado no copo!" - Eu

a brindar sem água

"Vinho não é bebida alcoólica! É paisagem, história, etnografia, inspirador e coligado no evoluir do Homem. Tudo isso falado no copo!" - Eu

Vinho sério na piscina!? A sério? Não pode ser, estás a brincar!

29.04.20 | manuel

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Foto: Gerd Altmann

Os jargões e expressões genéricas fazem parte da vida. São componente de comunicação. O desafio é enorme, o de tentar reproduzir as sensações por palavras e estas palavras não são imunes a alguma subjetividade. Quem prova um vinho e tenta reproduzir ou verbalizar o que sentiu, é um “herói”, correndo o risco de não se fazer entender. Não faz mal! Acontece em todas as atividades.


“Vinho sério” e “vinho de piscina”, são expressões, hoje, por vezes indiscriminadamente usadas, na referência ao vinho. Penitencio-me, pontualmente, por as ter usado aqui e ali de forma ligeira. Já não as uso de todo, ou não as uso sem as enquadrar em contexto. Para alguém como eu, e outros que conheço, que comunicam vinho a uma audiência menos conhecedora, mais insegura e menos orientada no que toca ao vinho, e que procura alguma forma de ajuda, pessoalmente acho importante ser um pouco mais preciso e menos discriminatório.


Sei e percebo, o que se pretende referir com estes termos. Mas acho importante ter em atenção o uso sem contexto. Afinal o termo “sério”, refere-se a um vinho que é feito a sério e outro a “brincar”? Que um vinho é “sério” e que o outro é “desonesto”? Ou qual é o mais “sério”? Conseguir produzir dois milhões de garrafas de um qualquer vinho com qualidade e consistência ou qualquer vinho de duas mil garrafas? Um vinho de cinco euros é menos “sério” que um de cinquenta euros? Cuidado que com este “sério”, podemos descredibilizar o produtor e uma marca de vinho, tal como criar sensação de que o consumidor que compra estes vinhos menos “sérios”, não percebe nada de vinho ou é ignorante ou que o estão a ludibriar. Afinal é ele, o consumidor, o bem mais precioso. Por experiência pessoal, já vivi a situação de alguém que considerava que o estaria a ofender por ele não comprar vinho “sério”, ou que seria incompetente na compra. Ficou-me para a vida!


“Um caso sério de aptidão gastronómica”, “estrutura séria, robusta”, “frescura a sério”, “descontraído, a sério que é!”. Ou outra que apetecer! A sério!


Sim, a sério que posso beber um qualquer vinho na piscina!? Sim, não estou a brincar! Só me falta a piscina!